Olá!
Nos últimos meses, estive ausente deste espaço. Isso não significa que eu tenha parado com outras atividades, contudo. Meu espírito criativo tem sido direcionado para outros desafios.
Assim, decidi oficialmente "fechar" este blog. Ele permanecerá online, apenas com os escritos originais (removi os outros que foram publicados em outros lugares), caso alguém queira voltar aqui e lê-los.
Finalmente, convido você a acessar meu site principal em http://www.luizcoelho.com e descobrir mais sobre novos e interessantes projetos com os quais tenho me envolvido. Espero você lá!
Obrigado e Deus abençoe você!
Um fim... e um princípio
- posted on 18/04/09 at 01:15:41Benedicta tu in mulieribus
- posted on 11/01/07 at 14:56:23Exulta, ó Virgem Theotokos,
Maria, cheia de graça,
O Senhor esteja contigo;
Bendita és tu entre as mulheres,
E bendito é o fruto do teu ventre,
Por ti nascerá o Salvador de nossas almas.
Saudação Angélica (Ave Maria), segundo o Rito Bizantino e Ortodoxo Oriental, baseada no Evangelho segundo São Lucas
Impressiona-me bastante quando descubro que, para alguns, uma simples Ave Maria pode ser mais ofensiva que advogar bênçãos matrimoniais homossexuais, direitos iguais à ordenação, e outros assuntos controversos. E é inacreditável que a Bem-Aventurada Virgem Maria, que foi sempre uma figura central no Cristianismo, tenha sido esquecida por tanta gente, especialmente hoje em dia.É verdade que pouco foi dito sobre Maria no princípio. Ela era uma mulher, afinal de contas, e mulheres eram consideradas cidadãos de segunda-classe entre os judeus daquela época. Também, ela era provavelmente analfabeta, e não pôde deixar nada por escrito. Assim, espera-se que apenas os eventos mais relevantes sobre sua vida sejam encontrados nas Sagradas Escrituras. Entretanto, tais passagens foram tão profundas que, se mescladas com a informação que o povo daquela época tinha sobre ela (e que, posteriormente, foi reagrupada pela Tradição), pode-se inferir que Maria teve um papel importante no Cristianismo.
E, é claro, Maria sempre foi "um dom, uma certa magia". Mesmo quando a devoção mariana era desencorajada, ela voltaria ainda mais forte, e normalmente ligada a eventos sobrenaturais. O movimento de Oxford que aconteceu dentro da Igreja da Inglaterra, e que depois se espalhou em toda parte, sob o nome de "Anglo-Catolicismo" era meramente uma explosão de crenças que eram sobrenaturais para muitos, mas mantidas em segredo. Mas se uma falta de cuidado com Maria pode ser desrespeitosa, a devoção mariana extrema pode ser considerada idolatria também. Assim, qual seria um lugar seguro e equilibrado para estabelecê-la no 3o milènio? É a Virgem apenas uma quimera do passado ou ela ainda fala aos nossos corações no dia de hoje?
Primeiramente, Maria é um símbolo de pureza. Sabe-se que Deus a escolheu, entre todas as mulheres, para ser aquela que levaria Seu Filho unigênito em seu útero. É claro que Deus é Deus, e, dessa forma, miraculoso. Deus não precisava se manifestar dessa forma. E ninguém nunca entenderá o mistério por detrás da Incarnação (alguns nem acreditam nela da forma convencional). Mas há algo nessa história que ainda me toca... Ele a escolheu, o que significa que Ele a tinha de modo especial. E, é claro que Deus ama a toda a humanidade, mas o fato de que Ele viu graça e virtude nela mostra-nos que o Deus que louvamos não está relacionado a palácios e belas vestes. Ele está muito mais interessado nos nossos corações. E Ele viu a santidade no coração de Maria. Ela nos mostra que um ser humano pode ser santo perante o Senhor e um agente de suas incontáveis bênçãos...
Maria também representa um grupo de pessoa que foi ignorado pela humanidade até então: as mulheres. Elas eram geralmente consideradas seres inferiores. Entretanto, Deus transferiu Maria do posto desgraçado que a sociedade a colocava à Sua santidade. E podemos estender esse conceito a todos aqueles que foram marginalizados pelo nosso mundo tormentoso: minoriais raciais, sexuais e religiosas, escravos, pobres, idosos, crianças... Através de Maria, descobrimos que Deus toma conta de todas as Suas cirianças, e que não há nenhum grupo especial de pessoas que são mais amados por Ele. Como a "segunda Eva", ela restaura-nos de volta ao estado de igualdade perante Deus, mostrando-nos o caminho da salvação através de Seu Filho.
Maria traz-nos o conceito de maternidade. Sua vida é um exemplo de como devemos nos comportar como pais. E é óbvio que os pais são as primeiras pessoas a quem dirigimos nossas afeições. Quando pensamos em Maria segurando, alimentando e tomando conta do menino Jesus, desejamos profundamente ser como ela com as nossas crianças, e também amá-la como nossa mãe "maior". A Santa Mãe de Deus é central ao nosso entendimento de paternidade e maternidade em meio a esta sociedade calamitosa. Ela deveria ser a luz que nos guia através das nossas famílias todos os dias.
Maria é, ainda, um símbolo de submissão. Ela nunca duvidou que tinha que seguir a vontade de Deus. Não vemos nela nenhum sinal de relutância. Ela sempre esteve lá, a Seu comando, e pronta para seguir Seu desejo. Quando nos tornamos como ela, passamos a ser verdadeiros servos de Deus. Nossa vontade passa a ser a vontade de Deus. E, através das ações de Maria, ela nos incita a deixar Deus tomar conta de nossas vidas, da mesma forma que Jesus nos propõe que sejamos ao orarmos o Pai Nosso.
Ser como a Bem-Aventurada Virgem Maria é, no final das contas, ser especial para Deus, e cheio de graça aos Seus olhos... uma bênção em vida. Ser como a Mãe de Deus é carregar Jesus dentro de nós, e, da mesma forma que Ele foi alimentado em seu útero, devemos alimentar o Cristo que vive dentro de nós, seguindo Seus mandamentos. Ser como a Santa Virgem Maria é mostrar que nós, simples seres humanos, podemos seguir nossos passos e sermos santos para Deus. Ser abençoada entre as mulheres é saber que mulheres podem ser abençoadas como os homens. Ser como a Alegria para todos os que Sofrem é ser igual a toda a gente aos olhos de Deus... é ser humano, e conseqüentemente, sensível aos sofrimentos das pessoas. Ser como a Rainha do Mundo é saber que nossas vidas devem seguir seu exemplo, e nossas famílias devem ser como foi sua família. Ser como a segunda Eva é um modo de mostrar completa submissão à vontade de Deus.
Amada Mãe de Nosso Salvador, Senhora dos Anjos, Virgem Theotokos, Estrela do Mar, Rainha da Paz, Rainha do Céu, Nossa Rosa, Trono de Sabedoria, Nossa Senhora... Maria nos aponta para o divino - aquele que veio para redimir o mundo: Jesus Cristo. Sigamos seu exemplo e regozijemo-nos, pois o Rei do Universo já veio.
Leitura complementar:
Lucas 1
Lex orandi lex credendi - a liturgia como uma confissão de fé
- posted on 29/10/06 at 18:57:29Mas Cristo, tendo vindo como sumo sacerdote dos bens já realizados, por meio do maior e mais perfeito tabernáculo (não feito por mãos, isto é, não desta criação), e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção. Porque, se a aspersão do sangue de bodes e de touros, e das cinzas duma novilha santifica os contaminados, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo?
E por isso é mediador de um novo pacto, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões cometidas debaixo do primeiro pacto, os chamados recebam a promessa da herança eterna.
Hebreus 9:11-15
A Bíblia (João Ferreira de Almeida Atualizada)
Liturgia vem do grego leitourgia, que é uma palavra composta por outras duas: leos (o povo de Deus) e ergon (trabalho). Liturgia significa, portanto, os trabalhos do povo de Deus.
Os povos de Deus O têm adorado através dos séculos... Primeiramente, não havia nada mais que simples cultos. Posteriormente, muitas melhorias foram feitas a esse "trabalho dos filhos de Deus". A liturgia tem sido a mais completa expressão de nossa fé em um Deus que torna tudo belo. E quando consagramos nossas vidas ao Seu serviço, elas se tornam igualmente bonitas.
O Anglicanismo nunca teve um teólogo ou exegeta principal. De fato, sua liturgia, centrada no Livro de Oração Comum (LOC) tem sido sua identidade mais profunda. Ela tenta mimetizar a maior de todas as liturgias: aquela que é descrita na epístola aos hebreus: Cristo, o Sumo-Sacerdote, que adentra o tabernáculo e oferece-se como sacrifício. Esta é a liturgia que nos liberta e nos convida a celebrarmos a vida alegremente, convidando nosso Sumo-Sacerdote em cada missa que celebramos juntos.A liturgia anglicana compreende elementos tanto da igreja católica (universal) primitiva como da reforma. Pode ter uma abordagem evangélica: expansiva e iconoclasta, ou um estilo anglo-católico: intuitivo e artístico. Mas as palavras tiradas do LOC, as quais serão examinadas a seguir, descrevem esse convite ao nosso Senhor e Sumo-Sacerdote Jesus, o qual é repetido a cada domingo ao redor do mundo, de acordo com o princípio do lex orandi, lex credendi (a lei da oração é a lei da fé).
Bendito seja Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Bendito seja o seu Reino, agora e sempre.
Excerto da Santa Eucaristia - Rito I
Livro de Oração Comum da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Este convite à adoração abre um serviço comum. O celebrante e o povo são agora um conjunto de fiéis, que desejam trazer o Reino de Deus ao nosso mundo, e magnificar o Seu nome. Tal evento é muito importante, pois leva a confissões individuais de pecados, as quais ocorrem imediatamente em seguida.
Onipotente Deus, que vês todos os corações, conheces todos os desejos e para quem segredo algum está oculto; purifica nossos corações e pensamentos com a inspiração do teu Espírito Santo, para que amemos com perfeição e dignamente glorifiquemos o teu Santo Nome; por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.
Excerto da Santa Eucaristia - Rito I
Livro de Oração Comum da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
É importante notar que este também é um convite à santidade. Ao pedir perdão a Deus, os fiéis limpam seus corações, e se preparam para serem santos, seguindo os passos do Cristo adentrando o tabernáculo. Novamente, esta é uma oração muito centrada na Trindade. Deus, o Todo-Poderoso, deve ser adorado, mas é o Seu (Santo) Espírito aquele que limpa nossas almas, e através do Senhor Jesus, a oração é entregue a Ele.
Mas é claro que ninguém pode chegar à completa santidade Divina por conta própria. E por isso, as palavras a seguir são repetidas ou cantadas, como um sinal de humildade e arrependimento.
Escutai o que diz nosso Senhor Jesus Cristo: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.
Senhor, tem piedade de nós (Kyrie eleison); Cristo, tem piedade de nós (Christe eleison); Senhor, tem piedade de nós (Kyrie eleison).
Excerto da Santa Eucaristia - Rito I
Livro de Oração Comum da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
A pequena oração recitada ao final, também conhecida como o Kyrie, tem sido repetida por séculos a fio. Ela vem do tempo em que a maior parte das comunidades cristãs usava o grego como sua língua primordial.
Κύριε ἐλέησον, Χριστὲ ἐλέησον, Κύριε ἐλέησον.
Este ato penitencial apresentado pode vir antes do serviço principal, ou no decorrer dele. Há várias opções para ele, mas a idéia principal que transmite está sempre lá: que apenas através da graça de Deus, podemos alcançar a vida eterna. Não merecemos ser salvos, e mesmo assim, Sua misericórdia nos providenciou uma forma graciosa de sermos um com Ele.
Agora, é hora de ouvir duas (ou mais) passagens da Bíblia. Esta é uma grande mudança, pois, pela primeira vez os fiéis de fato ouvem o que Deus tem a dizer, ao prestarem atenção a tais lições e ao sermão que vem a seguir. Antes disso, era hora de preparar as mentes, os corpos e as almas para receber livremente a mensagem de Deus. E agora, é Sua hora de agir.
Creio em um só Deus, Pai Onipotente, Criador do céu e da terra e de todas as coisas visíveis e invisíveis.
E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus; gerado de seu Pai antes de todos os mundos, Deus de Deus, Luz de Luz, Verdadeiro Deus de Verdadeiro Deus; gerado, não feito; consubstancial com o Pai; por quem todas as coisas foram feitas; o qual por nós homens e pela nossa salvação desceu do Céu, e encarnou, por obra do Espírito Santo, da Virgem Maria, e foi feito homem; foi também crucificado por nós, sob o poder de Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado: e ao terceiro dia ressuscitou, segundo as Escrituras: e subiu ao Céu, e está sentado à direita do Pai: e virá outra vez, com glória, a julgar os vivos e os mortos; e o seu Reino não terá fim.
E creio no Espírito Santo, Senhor, Doador da Vida, procedente do Pai e do Filho; o qual com o Pai e o Filho juntamente é adorado e glorificado; o qual falou pelos profetas: e creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica: reconheço um só Batismo para a remissão de pecados: e espero a ressureição dos mortos: e a vida do mundo vindouro. Amém.
Excerto da Santa Eucaristia - Rito I
Livro de Oração Comum da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
O Credo Niceno é um dos documentos mais importantes da Igreja primitiva. Ele é geralmente recitado (ou cantado) após o sermão. Esta série de afirmações reflete, de uma forma poética, os ensinamentos da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. As palavras "eu creio", que vêm no início de cada um deles, significam, no latim original "ponho meu coração em". E quando "elevamos nossos corações" a Deus, o Credo Niceno, seguido por uma série de preces, chamadas orações dos fiéis, nos conecta a milhões de irmãos e irmãs que estão compartilhando esta fé comum. Ele também nos conecta à comunhão de santos, que estão lá nos Céus, intercedendo por nós: a Igreja Triunfante.
O ato central de louvor é, claro, a Sagrada Eucaristia. Não há explicação fixa para a Presença Real, e há muitos que crêem em uma das explicações teológicas mais comuns para ela (transubstanciação, consubstanciação ou união sacramental). Muitas preces eucarísticas foram desenvolvidas, mas alguns pontos em comum são compartilhados por todas.
O Espírito do Senhor seja convosco.
Seja também contigo.
Elevai os corações.
Ao Senhor os elevamos.
Demos graças ao Senhor.
Assim fazê-lo é digno e justo.
***
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do Universo. Os céus e a terra estão plenos da tua glória. Glória te seja dada, ó Senhor Altíssimo.
Hosana nas alturas. Bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas.
***
E aqui te apresentamos, ó Senhor, a oferta de nós mesmos. E humildemente suplicamos que aceites este nosso sacrifício de louvor e ação de graças, e te dignes abençoar e santificar com teu Espírito Santo a este Pão e Vinho, para que nós, revestidos de tua graça e bênção celestial, sejamos unidos, com Cristo em tua Santa Igreja; mediante o mesmo teu Filho, nosso Senhor, por quem e com quem, na unidade do Espírito Santo, seja toda a honra e glória a ti, ó Pai Onipotente, por séculos sem fim.
Excerto da Santa Eucaristia - Rito I
Livro de Oração Comum da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Gostaria de enfatizar três partes que, em especial, falam ao meu coração. A oração eucarística é geralmente precedida pelas saudações da paz, e começa com um mandamento: elevai os corações e dai graças a Deus. A partir daí, o Sanctus é recitado. Esses versos, extraídos de duas passagens (Isaías 6:3 and Mateus 21:9) são um convite formal ao nosso Senhor Jesus Cristo. Conforme aqueles que estavam em Jerusalém, saudando-O como seu salvador, nós O salvamos como o nosso, formalmente reconhecendo Seu sacerdócio, Seu Reino e Sua Glória. Logo após, o sacerdote requisita ao Espírito Santo que santifique o vinho e o pão (epiclesis), assim, eles serão, para nós Cristãos, o Sangue e o Corpo de Jesus Cristo.
Um mandamento, uma saudação (e adoração) e uma requisição de santificação. As três faces de Deus: o Criador, o Redentor e o Santificador - todas presentes neste alegre momento de celebração. Glórias sejam dadas a Deus, pois fomos reconciliados com Ele pela aliança batismal. Glórias sejam dadas a Deus, pelo Seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, o Sumo-Sacerdote. Glórias sejam dadas a Deus, pois Ele nos permitiu sermos Seus filhos.
Por Cristo, com Cristo e em Cristo, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e glória te sejam dadas, ó Onipotente Pai, agora e sempre. E agora oramos.
Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu Nome, venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dá hoje. E perdoa-nos as nosas dívidas, assim como nós também perdomanos aos nossos devedores.
E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. Pois teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.
Excerto da Santa Eucaristia - Rito I
Livro de Oração Comum da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Então venha, Reino, venha!
Leitura complementar:
Hebreus 9