Mas que diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé, que pregamos. Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo; pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Ninguém que nele crê será confundido. Porquanto não há distinção entre judeu e grego; porque o mesmo Senhor o é de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo."
Romanos 10:8-13 - Leitura da epístola para o Primeiro Domingo da Quaresma (ano C)
A Bíblia (João Ferreira de Almeida Atualizada)
Domingo passado, muitas igrejas através da nossa Igreja celebraram a alegria das Missões Mundiais. O conceito de missão está intimamente ligado à proclamação do Evangelho. Isso significa que, se alguém quer ser um seguidor fiel dos ensinamentos deixados pelo Nosso Senhor Jesus Cristo, ele(a) deve ter um coração missionário.
É claro que o conceito de missão evoluiu, de simplesmente anunciar a palavra (a mais básica "acredite em Jesus" abordagem de conversão" para anunciar a Palavra, o Logos incarnado... Hoje, muitos de nós entendemos que um coração missionário deve estar compromissado a viver Cristo em ações, pensamentos e discursos. Missão é uma parte integral da Igreja - e uma igreja que não vive missões está condenada a uma triste morte (espiritual). Um coração missionário quer ajudar àqueles que estão em necessidade, sem se importar com quem são, e "missionários do dia-a-dia" são, portanto, aqueles que se comprometem a alcançar seus companheiros, amigos, parentes e conhecidos.
Hoje também é o primeiro domingo da Quaresma. Esta é uma estação de reflexão e penitência. Também é uma estação de esforços missionários. Missão, por si só, já é um ato de auto-doação. É um momento no qual cada cristão tem a oportunidade de compartilhar esperanças, medos, desilusões e conquistas com seus caros irmãos e irmãs que vêm de diferentes culturas, realidades e origens. Quando nos reunimos à mesa com nossa família em Cristo - os que concordam conosco e os que discordam de nós - fazemos missão. E fazemos missão porque, ao realizá-la, pregamos o Evangelho (a Palavra que vivemos e exprimimos através do nosso modo de ser) a cada criatura.
É claro, (ainda) há missionários transculturais, e sou muito abençoado de ter alguns amigos entre eles. Um pedacinho do meu coração vive no Panamá, onde o rarísimo Mickey e a amável Mona tem sentido o sabor latino na paróquia de São Cristóvão. Outra parte de mim se lembra da Caminante Lee e suas atividades em El Salvador. E se fechar os olhos, posso imaginar o Pe. Nicholas em Londres, e as memórias calorosas do tempo em que ele esteve na paróquia de Cristo Rei, na Cidade de Deus... Ou dos peregrinos de Atlanta, que passaram um momento maravilhoso na Diocese do Rio... E minha visão de missões é uma representação do reino na Terra. Sonho em ir à São Cristóvão para os ensaios do coral com a amável Mona e o el loco Mickey, e levar toda aquela gente para El Salvador, ou para Santa Maria em Vermont, com Lee. E talvez nos encontremos todos com o pessoal da Cristo Rei no Rio, os amigos de Atlanta, Pe. Nicholas e toda a gente da São Pancrácio, em Londres...
E estou certo de que esse reino que eu prevejo está profundamente dentro dos nossos corações. Esse é o Reino ao qual São Paulo se refere, na sua Epístola aos Romanos. O Reino composto por todos aqueles que crêem em Criso, e, mais que isso... todos os que depositam suas esperanças em Cristo, e confiam n'Ele. Mas Cristo não pára aí... Ele não nos confundirá. Eu diria um "Aleluia" por isso, mas como estamos na Quaresma, o litúrgico anglo-católico que vive dentro de mim contenta-se com um simples "hurrah" ou "hei". Sim, "hei" pelo fato de que Cristo não dá as costas para nós e nos deixa sós. E a mensagem que São Paulo traz é que Cristo nos vê, independentemente do que somos (judeus ou gentios) como seres iguais. Ele nos ama, e nos abençoa, pela nossa fé n'Ele e pela esperança que n'Ele depositamos.
E como vejo missão como esse encontro de toda a gente para glorificar um Deus que não dá as costas para nós, acho contraditório quando alguém recusa-se a celebrar o mistério eucarístico, que é tão importante para nossa vida como uma comunidade cristã, e dá as costas aos restantes. Quando os que agem dessa forma o fazem, atuam como não-missionários, e até mesmo como não-cristãos.Tudo o que sei é que o povo da Cidade de Deus verá a vida de uma forma diferente que os panamenhos. O frio de Vermont e o calor de El Salvador e sua gente são realidades muito distintas. Londres nebulosa e a quente Atlanta podem não combinar tampouco... Talvez seja porque cada ser humano é uma ilha. Deus, entretanto, é o melhor construtor de ponts que já conheci. Em Cristo, com Cristo e através de Cristo, a Igreja é mantida em união. E Cristo é revelado; quando partimos o pão, quando compartilhamos experiências, quando vemo-nos como pessoas decentes, quando damos as mãos e quando trocamos a paz. Isto é missão.
Nossa resposta para a não-missão, entretanto, não deve ser não-missionária. Eles podem sair. Eles podem dar as costas. Nós não. Nós ficaremos reunindo-nos ao redor da mesa, mesmo se eles não quiserem vir. Nós ofereceremos a paz, mesmo se eles recusarem recebê-la de nós. Nós continuaremos a ajudar suas crianças, mesmo se eles as afastarem de nós. Nós faremos missão, mesmo se a não-missão dominar o mundo.
E continuaremos a fazê-lo, porque nosso Deus não dá as costas, nos abandona ou nos envergonha. O deles pode. O nosso, nunca.
Parte de estudo conduzido na Igreja Episcopal de Todos os Santos (All Saints' Episcopal Church, da Diocese Episcopal de Atlanta, em 25/02/2007.
Leitura complementar:
Romanos 10