English
Português



view this weblog as RSS ! RSS Feed

 

E eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus

 -  posted on 24/04/07 at 00:47:18



Por isso agora o Senhor Deus de Israel diz respeitante a esta cidade, que cairá nas mãos do rei de Babilónia através da guerra, da fome e da pestilência, mas que tornará a trazer o povo de volta, de todos os países para onde a sua cólera os dispersou. Tornarei a trazê-los para esta mesma cidade, e farei com que vivam em paz e em segurança. Serão o meu povo e serei o seu Deus. Dar-lhes-ei um só coração e uma só mente para que me adorem para sempre, para seu próprio bem e para a felicidade dos seus descendentes. Farei com eles uma aliança eterna, em como nunca mais os abandonarei, e só lhes farei bem. Porei um só desejo no seu coração: o de me adorar; e nunca mais me deixarão. Terei alegria em lhes fazer bem; tornarei a plantá-los nesta terra, com grande alegria. Assim como lhes enviei todos estes terrores e males, assim também depois lhes farei todo o bem que prometi.

Nisto vi, entre o trono e os quatro seres viventes, no meio dos anciãos, um Cordeiro em pé, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus, enviados por toda a terra. E veio e tomou o livro da destra do que estava assentado sobre o trono. Logo que tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos. E cantavam um cântico novo, dizendo:
"Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação; e para o nosso Deus os fizeste reino, e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra".
E olhei, e vi a voz de muitos anjos ao redor do trono e dos seres viventes e dos anciãos; e o número deles era miríades de miríades; e o número deles era miríades de miríades e milhares de milhares, que com grande voz diziam:
"Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor".
Ouvi também a toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e no mar, e a todas as coisas que neles há, dizerem:
"Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos":
e os quatro seres viventes diziam: Amém. E os anciãos prostraram-se e adoraram.

Depois disto manifestou-se Jesus outra vez aos discípulos junto do mar de Tiberíades; e manifestou-se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu, e outros dois dos seus discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Responderam-lhe: Nós também vamos contigo. Saíram e entraram no barco; e naquela noite nada apanharam. Mas ao romper da manhã, Jesus se apresentou na praia; todavia os discípulos não sabiam que era ele.
Disse-lhes, pois, Jesus: "Filhos, não tendes nada que comer?"
Responderam-lhe: "Não".
Disse-lhes ele: "Lançai a rede ã direita do barco, e achareis". Lançaram-na, pois, e já não a podiam puxar por causa da grande quantidade de peixes.
Então aquele discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: "Senhor." Quando, pois, Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica, porque estava despido, e lançou-se ao mar; mas os outros discípulos vieram no barquinho, puxando a rede com os peixes, porque não estavam distantes da terra senão cerca de duzentos côvados. Ora, ao saltarem em terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima delas, e pão.
Disse-lhes Jesus: "Trazei alguns dos peixes que agora apanhastes."
Entrou Simão Pedro no barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. Nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor. Chegou Jesus, tomou o pão e deu-lho, e semelhantemente o peixe. Foi esta a terceira vez que Jesus se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressurgido dentre os mortos.

Jeremias 32:36-41, Apocalipse 5:6-14, João 21:1-14 - Próprio do Terceiro Domingo da Páscoa (ano C)

A Bíblia (João Ferreira de Almeida Atualizada)

Estamos no tempo pascal. É hora de lembrarmo-nos dos fantásticos acontecimentos que sucederam a morte e ressureição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sabemos que Ele passou quarenta dias já ressuscitado entre seus companheiros e discípulos, e é esse o período que procuramos relebrar, também, nesta estação.

O Evangelho de hoje nos diz que Jesus apareceu aos seus discípulos, mais uma vez, às margens do mar de Tiberíades. Eles estavam ali, pescando - ou tentando pescar, pois nada conseguiam. Vocês conseguem imaginar o que fariam se o Cristo ressuscitado aparecesse para vocês em um momento corriqueiro de seu dia-a-dia?

Mas o Cristo que abraçou as crianças, alimentou os famintos, acolheu os pobres e aliviou os oprimidos não precisa aparecer sempre em "um momento de glória", pois para Ele, toda a nossa vida, se vivida de acordo com Seus preceitos, é, sim, um momento para a glória de Deus.

Assim, pescar, cozinhar, limpar janelas, varrer o chão, descascar legumes e tantas outras tarefas cotidianas são, sim, dignas aos olhos de Deus, e em todas elas Cristo se revela, de uma maneira sutil, porém bastante eral.

Mas neste caso, Cristo se mostra de uma maneira ainda mais especial: Ele aparece àquela gente. Tenho cá comigo que eles estavam um tanto quanto consternados, pois, embora Ele tivesse ressuscitado e aparecido a uma série de pessoas, Seus seguidores ainda não tinham uma real noção do que fazer como Seus discípulos, dali em diante. Também imagino que a vergonha de alguns deles os consumia, por não terem acreditado, ou por terem negado a Cristo.

A aparição de Cristo, entretanto, dá-se num modo sereno. Ele se revela trazendo, mais uma vez, um milagre de multiplicação de alimentos: o auxílio de que os discípulos precisavam. A atitude deles é de completa reverência e aceitação incondicional de Jesus Cristo como seu senhor.

Isto nos remete à belíssima passage do Apocalipse, que temos em mãos hoje. Uma das coisas que mais me aprazem neste período do Ano Cristão é a possibilidade de meditarmos sobre trechos do Apocalipse de São João. Infelizmente, tal livro ainda assusta e amedronta muitos dos nossos irmãos, mas trata-se, na verdade, de um livro de esperança - a esperança da vitória final d'Aquele a quem devemos toda a honra.

E é justamente sobre isso que fala a leitura de hoje. O Cordeiro imolado põe-se de pé, sinal de sua vitória sobre a morte. Tal cordeiro é Jesus, nosso Senhor, o qual ofereceu-se em sacrifício por amor a nós, e venceu a morte. São Gregório de Nazianzo, um dos pais capadócios, disse certa vez que "o que não foi assumido não foi redimido; mas o que é unido a Deus está salvo". Assim, foi necessário para Deus fazer-se um de nós, compartilhar de nossas dores e sentir o que é ser um ser humano, sofrendo a infame morte de cruz e o sofrimento da injustiça - presenciando o pior lado de ser um ser humano.

É daí que vem a imagem de Jesus como um cordeiro. O cordeiro é um animal de uma tremenda ingenuidade. Ele segue seu pastor piamente e não se rebela. Sua lã branca é imaculada e seu comportamento pacífico torna-o alvo fácil para seus predadores. Pela sua doçura e pureza, tais animais eram usados nos sacrifícios ao Deus de Israel. Ao apresentar Jesus, em visão, como o Cordeiro Pascal, Deus nos mostra que Cristo realizou o sacrifício definitivo, o qual nos permitiu a reconciliação definitiva com o Pai.

São João em Patmos - iluminura do breviário Très Riches Heures du Duc de BerrySão João estava tendo uma visão do Reino de Deus. Ele via vinte e quatro anciãos, que para alguns podem ser interpretados como seres angélicos, ou até mesmo doze tribos de Israel e doze apóstolos de Cristo, representando o povo da velha e da nova aliança. Ele também via quatro Seres: um como águia, um como leão, um como touro jovem e um como homem. Eles são vistos como os quatro evangelhos, cada um dos quais mostra uma face diferenciada de Jesus. A revelação também nos diz de taças cheias de incenso, que são as orações dos santos - ou seja, a comunhão dos santos, os quais intercedem por nós, pela Igreja e por toda a humanidade. Por fim, multidões de anjos se prostram ao redor do trono, e todos em uma só voz, juntamente com as criaturas do céu, da terra e do mar adoram ao que está assentado no trono - Deus, e ao Cordeiro - Cristo.

Existe um momento na nossa liturgia eucarística em que temos uma breve noção de tal visão. É o chamado Sanctus-Benedictus, que diz "santo, santo, santo Senhor Deus do Universo...". Logo antes desse momento, quando o celebrante nos convida a cantar tais palavras com os anjos, arcanjos e as multidões celestiais, imagino que é como se os céus se abrissem e nós estivéssemos nos juntando àquele côro composto por todos os fiéis que já se foram e todas as criaturas celestes, louvando em reverência ao Deus triuno: nosso criador, nosso redentor e nosso santificador.

As multidões de anjos e santos enxergaram Deus no Cordeiro e com gratidão O adoraram. Os discípulos de Jesus enxergaram Deus no Jesus ressuscitado à beira do lago, e com reverência O obedeceram. E isso nos remete à primeira leitura do livro de hoje, extraída do livro de Jeremias. Nela, Deus deixa para nós uma mensagem de esperança. Ele reunirá Seu povo de todos os países pelos quais estão espalhados, dando-lhes um novo coração e fazendo-lhes o bem para sempre. Eles serão o povo de Deus, e Deus será Deus para eles.

Os discípulos tomaram Jesus para seu Deus. Eles viam Deus em Cristo! Cristo revelou-se Deus para eles e os abraçou como Seu povo. Por diversas vezes, antes de subir aos céus, Ele fez questão de aparecer a eles, sinalizando o quanto Ele os amava e o caminho que queriam que seguisse. Jesus deu-lhes de comer e, com eles, partiu o pão. Na simplicidade daquele momento, com muita reverência, eles O adoravam. Era o começo de mais de dois milênios da fé cristã.

Nos céus, os anjos e arcanjos, os santos e a Igreja vêem Deus no Cordeiro pascal. Esse Cordeiro põe-se de pé perante eles, mostrando que venceu a morte e ressuscitou. Ele se revela como Deus para todas aquelas criaturas, e elas O adoram em incessante louvor.

Possamos nós também, abraçar o Cristo ressuscitado como nosso Deus. Façamos como o que cantamos no Pascha Nostrum: "Cristo, o nosso cordeiro pascal, foi imolado; portanto celebremos a festa". Celebremos a festa que é viver em Cristo e cantemos um cântico novo. Multipliquemos o alimento daqueles que passam fome e partamos o pão com aqueles que vêm a nós. Vivamos em harmonia e demos glória Àquele que é o nosso Senhor. Em tudo isso, Cristo se revela, pois Ele é o nosso Deus, e nós somos o Seu povo.

O louvor, a honra, a glória e o poder pertencem àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro pelos séculos dos séculos. Amém.

Sermão compartilhado na Paróquia Cristo Rei, da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, em 22/04/2007.

Tomei emprestado a idéia do Jared, e resolvi gravar este sermão...